Made in Brazil

Barbara Mattivy na loja da Insecta Shoes de São Paulo

 Sapatos com

 

VALORES

 

POR MARINA AZAREDO    FOTOS ANNA CAROLINA NEGRI

Há apenas três anos e meio no mercado, a Insecta Shoes conquistou rapidamente uma clientela ávida por produtos bonitos e ecologicamente corretos. Sucesso no Brasil, seus calçados veganos já são exportados para quatro países

ssim como muitos jovens, a empresária Barbara Mattivy, de 32 anos, terminou a faculdade sem muita certeza de que estava fazendo a coisa certa. Graduada em administração de empresas com ênfase em marketing, mas cheia de ideias e com um senso estético apurado, ela gostava muito mais do universo fashion do que das planilhas de Excel. Tanto que, terminada a faculdade na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a jovem abriu uma empresa de conteúdo para marcas de moda e depois criou um bem-sucedido brechó virtual. A formação só passou a fazer sentido alguns anos mais tarde, quando ela se tornou o principal nome por trás da Insecta Shoes, marca de calçados e mochilas veganos e ecologicamente corretos que virou referência no mercado brasileiro e já chegou aos Estados Unidos e à Europa. Após começar despretensiosamente, o negócio cresceu tanto e tão rápido que – ironia do destino – hoje é nas planilhas do Excel que Barbara passa boa parte de seu tempo, tentando entender como a Insecta pode crescer sem perder a sua identidade e seus valores. Tudo começou em Porto Alegre em uma tarde de janeiro de 2014, quando ela recebeu a visita da amiga Pamella Magpali no espaço em que fazia a curadoria das roupas vendidas em seu brechó virtual, o Urban Vintagers. Na época, Pamella tinha uma marca de calçados produzidos com o excedente de couro da indústria e, ao ver uma seleção de roupas danificadas separadas para serem consertadas, teve o insight que deu origem à Insecta: por que não fazer sapatos com aquelas peças? “As estampas eram lindas e a Pam já tinha todos os modelos desenhados. Foi só substituir o couro pelos tecidos”, lembra Barbara. Assim foi lançada a primeira linha de sapatos veganos da Insecta, com poucas dezenas de pares, vendidos rapidamente. “Como o tecido substituiu o couro no cabedal do sapato, decidimos não usar mais nada de origem animal na sua composição”, conta a empresária. Três meses depois, a empreitada ganhou nome – inspirado na paixão das sócias por insetos exóticos – e chegou ao mercado com três modelos, também batizados com nomes de insetos. O besouro foi o escolhido para figurar no logotipo da nova marca. No início, todos os sapatos eram produzidos a partir de roupas de brechós – um vestido rende cinco pares. No entanto, com o crescimento do negócio e o aumento da demanda pelos produtos Insecta, Barbara e Pamela tiveram de procurar alternativas ecologicamente corretas e que possibilitassem uma produção em maior escala. “Pesquisamos muito e descobrimos um tecido feito a partir de garrafas PET recicladas, o que foi ótimo porque também pudemos começar a desenvolver estampas próprias”, afirma Barbara. Atualmente também há modelos feitos com laminado vegetal, uma sarja com acabamento de látex natural extraído da seringueira que lembra muito o couro. Já as solas são feitas de borracha triturada do excedente da indústria calçadista e as palmilhas com restos têxteis da própria produção da Insecta. Os ilhós e os cadarços ainda não são reciclados, mas os profissionais da marca já começaram as pesquisas para que até mesmo essas partes menores sejam ecologicamente corretas. Já as mochilas têm alças feitas de cintos de segurança reaproveitado e forro de tecido de guarda-chuva reciclado. Ao longo do caminho a estrutura societária da empresa, que hoje tem dez funcionários, passou por mudanças. Após sete anos trabalhando com pesquisa de tendências na Renner, maior varejista de moda do Brasil, a publicitária Laura Madalosso tornou-se sócia da Insecta, em busca de mais qualidade de vida. Já Pamella, que sonhava em fazer sapatos superpersonalizados, achou que o negócio havia crescido demais e resolveu vender a sua parcela para as outras duas sócias. Nesse meio tempo, Barbara mudou-se para São Paulo, importante mercado para a Insecta e onde está localizada uma das duas lojas próprias da marca – a outra fica em Porto Alegre. Atualmente Barbara é quem cuida das áreas de comunicação, branding, financeiro e e-commerce. Desenvolvimento de produto e produção são responsabilidades de Laura. Para dar conta de um crescimento tão acelerado, a dupla conta também com a ajuda de consultorias especializadas. “Come- çamos sem prestar muita atenção no financeiro e na contabilidade, por exemplo. Simplesmente porque não gostávamos dessa parte. Mas neste ano estamos tentando organizar tudo isso”, conta Barbara. Entre os objetivos para um futuro próximo estão ampliar o leque de fornecedores – hoje todos os sapatos da Insecta são feitos em uma fábrica terceirizada em Novo Hamburgo, importante polo calçadista gaúcho –, para evitar surpresas e contratempos na produção e, quem sabe, avaliar a entrada de um sócio-investidor no negócio. “Sabemos que precisamos de mais capital de giro, mas a maioria das propostas é baseada em um modelo tradicional de capitalismo, o que vai contra os nossos valores. Ainda não achamos o perfil certo, mas sei que estão surgindo muitos investidores do bem”, justifica a empresária. Se tudo der certo, Barbara ainda deve passar muito tempo diante das planilhas de Excel. E o meio ambiente agradece.

R$
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milhão

foi o faturamento da Insecta Shoes em 2016

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mil

foi o investimento inicial na empresa, em 2014

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pares de sapatos Insecta são vendidos todos os meses

R$
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é o preço médio dos sapatos Insecta

ONDE

ENCONTRAR

INSECTA SHOES SÃO PAULO

R. Artur de Azevedo, 1295, Pinheiros

INSECTA SHOES PORTO ALEGRE

R. Miguel Tostes, 836, Rio Branco

PANDORGA INSITUTO LING

R. João Caetano, 440, Três Figueiras, Porto Alegre

INHOTIM BOTÂNICA E DESIGN

R. B, 20, Inhotim, Brumadinho (MG)

     insectashoes.com     

Ambiente da loja localizada em Pinheiros, São Paulo

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