Beleza sustentável

Em apenas dois anos, a marca catarinense Simple Organic transformou-se em referência no mercado de cosméticos orgânicos e veganos

POR BRUNO SEGADILHA

Há seis anos, quando engravidou de sua primeira filha, a catarinense Patrícia Lima, de 39 anos, começou a fazer profundos questionamentos sobre sua vida e seu trabalho. Editora da revista independente Catarina e dona de uma agência de publicidade, ela decidiu rever seus hábitos como cidadã e fazer algo pelas futuras gerações. “Eu comecei a imaginar em que mundo minha filha ia viver. Questionei se eu estava ajudando a fazer deste mundo um lugar melhor. Não queria que ela crescesse em uma sociedade consumista, com padrões de beleza cruéis, por exemplo”, lembra. Esta foi a semente da Simple Organic, marca de beleza que vende cosméticos orgânicos e veganos produzidos de forma sustentável.

Sua primeira providência para mudar de vida foi fechar a agência publicitária. “Além de produzir muito material impresso, a empresa contribuía para hábitos de consumo desenfreado.” Em seguida, Patrícia analisou o mercado para resolver qual seria sua nova empreitada. “Eu sempre trabalhei com moda, mas não sabia exatamente em que segmento iria investir”, diz. Depois de um ano e meio de pesquisa, ela descobriu marcas de beleza orgânicas e naturais fora do País e notou que esse era um nicho pouco explorado no Brasil. As fabricantes nacionais dedicadas a esse tipo de produto, ela diz, não despertavam desejo. “Tinham uma pegada muito natureba”, afirma.

A partir daí, Patrícia desenvolveu uma linha de produtos – entre eles, máscaras para cílios, batons e hidratantes – com ingredientes brasileiros, como açaí, jabuticaba e cupuaçu. Em abril de 2017, inaugurou a Simple Organic. Seu primeiro target para divulgar o conceito de beleza sustentável foi o universo fashion, com o qual se sentia familiarizada. A empresária formou, então, uma parceria com a grife À La Garçonne, de Alexandre Herchcovitch. A ideia era que toda a beleza do desfile do estilista na São Paulo Fashion Week fosse feita com os produtos da Simple Organic. “Queria levar itens sustentáveis e orgânicos para a passarela, mostrar que isso era possível e ver se esses produtos seriam aceitos.” Não só foram aceitos como disputados. Em 45 dias, a empresa vendeu todo o seu estoque inicial de 15 mil produtos — quantidade que Patrícia planejava vender em seis meses.

Seis meses, na verdade, foi o tempo que Patrícia levou para montar uma estrutura de produção própria, em Santa Catarina. Antes, toda a linha era feita em Milão, na Itália, um dos poucos lugares no mundo onde se produzia maquiagem totalmente orgânica. Hoje, a Simple Organic desenvolve todos os seus itens no Brasil, certificados pela Ecocert, a maior certificadora de orgânicos do mundo, baseada em Paris. Tanto cuidado já chamou a atenção da indústria mundial. Em janeiro de 2018, o blending facial da empresa foi eleito o melhor da categoria na Indie Beauty Expo, uma das premiações mais relevantes entre as marcas independentes.

Diante da grande demanda e dos vários pedidos dos clientes, Patrícia percebeu que seria impossível focar apenas nas vendas on-line. “O cliente quer ter uma experiência sensorial com esse tipo de produto”, explica. Por isso, em outubro de 2018, inaugurou os primeiros quiosques, em Belo Horizonte e Curitiba e, em dezembro, mais oito pontos, em cidades como Manaus, Rio de Janeiro e Recife. A empresária, porém, vê esse plano de expansão com cautela. Ela pretende fazer uma avaliação criteriosa dos interessados em abrir franquias do seu negócio. “Quero trabalhar com gente que não encare aquilo só como uma forma de ganhar dinheiro, mas que tenha a mesma preocupação com a sustentabilidade e com a responsabilidade social”, diz. Os pontos de venda da Simple Organic, por exemplo, não trabalham com sacolas nem caixas, apenas com embalagens de pano. 

Outra preocupação de Patrícia é promover a diversidade e a inclusão. Por isso, ela convidou uma modelo plus size para estampar seu primeiro material promocional e reforça que a Simple Organic é uma marca sem gênero. “Maquiagem não é só para mulher. Obviamente, o mercado feminino é muito maior, mas o mundo está em transformação. Temos de falar de igual para igual com o consumidor. Fico feliz em saber que várias drag queens estão usando os nossos produtos, porque elas são super exigentes, precisam de pigmentações fortes. Se as drags usam é porque estamos no caminho certo”, conclui. 

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é o número de funcionários da empresa, sediada em Florianópolis

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itens são produzidos pela Simple Organic, entre eles, rímel, batons, hidratantes e produtos de bem-estar, como máscaras faciais

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é a quantidade de lojas espalhadas pelo Brasil, em cidades como Manaus, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador

 ➤  simpleorganic.com.br 

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