Por um Mundo Melhor

Além das aparências

A startup paulistana Fruta Imperfeita vende alimentos com “pequenos defeitos” e contribui para a redução do desperdício

POR GIOVANNA FORCIONI

á três anos Nathalia Inada trabalhava em uma gigante do ramo alimentício e Roberto Matsuda era funcionário de uma empresa de engenharia. Hoje o casal está na linha de frente de um projeto de distribuição de alimentos pioneiro no Brasil. O sonho de empreender ganhou um empurrãozinho quando Roberto iniciou a pós-graduação em gestão de negócios com foco em sustentabilidade. Bastaram algumas pesquisas e boas referências para a ideia da Fruta Imperfeita sair do papel. A proposta da startup brasileira é vender alimentos que seriam descartados por serem “feios” ou não se ajustarem ao padrão estético dos supermercados. O serviço de entrega funciona por assinatura: os clientes pagam uma taxa mensal para receber em casa cestas de frutas e legumes com “pequenos defeitos” em sua forma ou cor, mas igualmente saborosos e nutritivos. Apesar de parecer simples, a fórmula exige uma logística muito bem estruturada. “Nós temos um levantamento dos produtos em época de safra e dos produtores que estão colhendo. Entramos em contato para saber se eles têm imperfeitos e agendar a data da entrega.” A partir daí, os alimentos são separados e as cestas, montadas e distribuídas para os clientes. “É um ciclo

complexo porque se renova a cada dois dias”, explica Nathalia. Antes de chegar ao País, em 2015, a ideia de vender “imperfeitos” já rodava o mundo. Projetos como a Fruta Feia, em Portugal, e o Imperfect Produce, nos Estados Unidos, também buscam reduzir o desperdício e dar um novo destino a esses produtos que iriam para o lixo. Além da questão ambiental, as iniciativas têm o objetivo de ajudar na geração de renda de pequenos produtores ao garantir que tudo que colherem será comercializado.

Hoje, a Fruta Imperfeita atende cerca de 800 assinantes e se limita à Zona Sul da cidade de São Paulo. Até o fim do ano, a meta é aumentar esse número para suprir a demanda dos bairros onde já atuam. Para os fundadores, a expansão do serviço para novas áreas da cidade deve ser planejada pouco a pouco. “Muito mais do que vender, a nossa ideia é divulgar a noção de consumo consciente”, diz Roberto.

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produtores fornecem as frutas e os legumes para projeto

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tipos diferentes de produtos são entregues
nas cestas a cada semana

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é o número de cestas
que a startup pretende alcançar até o fim do ano

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