Gastronomia

Salão do Tanit, projeto do Coletivo de Arquitetos

Cozinha

com sotaque

No concorrido Tanit, em São Paulo, o chef espanhol Oscar Bosch serve pratos da culinária mediterrânea com forte influência catalã

 

POR JUNIOR FERRARO

é o nome de uma deusa fenícia, cultuada no Mediterrâneo Ocidental por volta do século 5 a.C. e associada à fertilidade da terra. Hoje, a julgar pelas filas de espera no restaurante Tanit, em São Paulo, o nome da divindade continua invocando a prosperidade. A casa, que celebra a cozinha mediterrânea com forte sotaque catalão, tem seu salão muito disputado desde a inauguração, em maio de 2016, principalmente no jantar. O nome da deusa balear pode até ter emprestado boa sorte ao local, mas o que atrai os clientes mesmo é a cozinha saborosa e bem executada do chef catalão Oscar Bosch. Nascido há 34 anos na cidade litorânea de Cambrils, cresceu em meio às panelas no restaurante de seu pai, o Can Bosch, que há 30 anos tem uma estrela do Guia Michelin. “Nas minhas férias de verão, alta temporada da região, eu ajudava minha família no restaurante”, conta Oscar, que já passou por outras casas consagradas, como os espanhóis El Bulli e El Celler de Can Roca e o belga Hof van Cleve. No Brasil desde 2010, prestou algumas consultorias e criou um serviço de catering antes de, finalmente, abrir seu próprio restaurante, com três sócios, sem deixar suas raízes para trás. O clima mediterrâneo já começa no ambiente informal e solar, projeto do Coletivo de Arquitetos, que inclui um salão bem iluminado, paredes com madeira clara, cadeiras azuis e cor de creme, e uma aprazível varanda envidraçada. À noite, o local ganha iluminação convidativa e lembra os agitados bares de Ibiza. A informalidade do ambiente reflete-se em alguns itens do menu, que vão desde petiscos – como as croquetas, em cinco versões – até receitas poderosas, que já se tornaram emblemáticas da casa. É o caso do Leitãozinho Crocante, com porco cozido a baixa temperatura, servido com cenoura assada, purê de cenoura e chutney de repolho roxo e maçã. Ou o Arroz Negro, com polvo grelhado, tinta de lula e allioli (espécie de maionese catalã, com alho). No mês passado, o cardápio do Tanit passou por uma ampliação e ganhou 11 itens, como o Arroz de Pato, que traz a ave desfiada misturada ao arroz, finalizado com fatias de magret defumado e ovo poché. A seção de petiscos e entradas também tem adições interessantes, como os Pintxos de Pulpo à la Gallega (espetinhos com pedaços de polvo grelhado, sobre batatas confit e páprica doce) e os Mini Cones Crocantes (massa frita e recheada com tartare de atum e allioli de gengibre). Ambas são ideais para acompanhar os drinques do bar – experimente o Negroni Jerez (gim, vermute branco, Campari e vinho espanhol Jerez). A experiência no Tanit, entretanto, não será completa sem um doce toque final. Afinal, além de deliciosas, as sobremesas da casa guardam um lado romântico: os doces são criações da chef pâtissière Bia Bosch, esposa de Oscar. Foi ela quem recriou, por exemplo, a Torrija de Santa Tereza, espécie de rabanada espanhola que aqui ganhou uma redução de Pedro Ximenes e sorvete de café. Tradição e inspiração, refletindo a prosperidade de um restaurante imperdível. Sob os bons auspícios da antiga deusa fenícia, é claro.

TANIT

R. Oscar Freire, 145, Jardim Paulista, São Paulo

11 3062 6385 / restaurantetanit.com.br

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