Por um Mundo Melhor

Cultivo do bem

Nascido em São Paulo, o projeto Cidades sem Fome ensina grupos vulneráveis a viverem da horticultura em grandes centros urbanos

POR FLÁVIA G. PINHO

letragaúcho de Agudo, o descendente de alemães Hans Dieter Temp, 52 anos, sempre teve intimidade com a vida rural — ele cresceu ajudando os pais na pequena propriedade da família. Formado em administração de empresas, chegou a distanciar-se da terra na juventude, quando mudou-se para o Rio de Janeiro. Mas uma especialização em agropecuária e políticas ambientais na Universidade de Tübingen, na Alemanha, conectou-o novamente ao campo. “Ao longo de quatro anos, compreendi como a Europa funciona. A sociedade civil organizada atua e não fica esperando ações do poder público”, explica. De volta ao Brasil, Temp instalou-se em São Paulo e criou um projeto social para resolver dois problemas graves da metrópole: parcelas da população sofrendo de deficiência alimentar crônica de um lado, grandes áreas desocupadas de outro.

Fundada oficialmente em 2004, a organização Cidades sem Fome passou a transformar esses terrenos em hortas comunitárias — delas, desempregados e outros moradores em situação vulnerável poderiam tirar seu sustento.

“Nosso objetivo nunca foi assistencialista. Oferecemos recursos e expertise para que as pessoas estejam independentes cerca de 12 meses depois.” Financiado por empresas públicas e privadas, ao custo médio de R$ 1 milhão por ano, o projeto já mantém 25 hortas comunitárias na Grande São Paulo, que somam 50 mil metros quadrados. “Das 115 pessoas assistidas pela organização, cerca de 40% já não usam mais nossos recursos financeiros, apenas o suporte técnico”, comemora Temp, que defende os preceitos da agricultura orgânica. “No treinamento, derrubo mitos e mostro que o custo de produção pode ser até 30% inferior ao do cultivo convencional.” As vendas de hortaliças, temperos e ervas medicinais acontecem dentro das próprias hortas, abertas à população de segunda a sábado. “Quem vem nos visitar conhece as pessoas envolvidas e suas histórias e valoriza ainda mais seu trabalho. E também tem a chance de comprovar que essas áreas, antes depósitos de lixo e de doenças, viraram verdadeiros oásis.”

cidadessemfome.org

Hortas comunitárias 

Hans Dieter Temp

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cursos de produção de alimentos orgânicos em áreas urbanas já foram realizados

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alunos já foram capacitados pelos cursos da organização

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pessoas têm a subsistência garantida pelos 115 beneficiários diretos do projeto

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