Panorâmica a partir da Ponta da Piedade, em Lagos

Algarve

JOIA PORTUGUESA

O IMPRESSIONANTE LITORAL SUL LUSITANO TEM PRAIAS ENFEITADAS POR FALÉSIAS COLOSSAIS, CIDADES HISTÓRICAS ENCANTADORAS, CULINÁRIA RICA EM SABORES E UMA AGITADA VIDA NOTURNA. BEM-VINDO AO ALGARVE

POR JUNIOR FERRARO

FOTOS GUI GOMES

Os ingleses, espertos que são, foram os primeiros a descobrir os encantos do Algarve. Em meados dos anos 1960, os britânicos já frequentavam a região mais ao Sul de Portugal, quando ali havia apenas a pesca, a indústria de conservas e um dos litorais mais lindos que a natureza produziu.

Mais de 50 anos se passaram e, a despeito de os súditos da rainha Elizabeth 2a ainda serem a maioria entre os turistas, cada vez mais visitantes de outros países – e os próprios portugueses – escolhem a região para passar férias. O Algarve hoje é um dos maiores destinos turísticos do país, com mais de 4 milhões de visitantes por ano, segundo o Turismo de Portugal, e nível de satisfação de 98%, conforme recente estudo realizado pela Universidade do Algarve.

Pudera. A região, com 5.412km2 de área, possui as praias mais bonitas do país. Trata-se de uma extensa faixa litorânea bordada por falésias coloridas, grutas e formações rochosas surpreendentes, banhada pelas águas cristalinas do Oceano Atlântico. Para melhorar o que já é ótimo, chove pouco por ali (os algarvios se orgulham de ter cerca de 300 dias de sol) e as temperaturas são agradáveis quase o ano inteiro.

Esta joia lusitana ainda reserva outros brilhos: as encantadoras cidades históricas, com resquícios do império mouro e forte herança medieval — como a capital, Faro, a 278km de Lisboa —, gastronomia apurada, com sabores marcantes, e uma vibrante cena noturna, com marinas e bares movimentados. Seja qual for seu foco (a natureza, a história ou a culinária), o Algarve garante férias inesquecíveis.

A NATUREZA

É bom avisar logo: não é fácil conhecer as paisagens naturais do Algarve. Não porque elas sejam escassas. Ao contrário. São tantas as opções de praias (mais de 50), mirantes, grutas, falésias e parques que fica até difícil priorizar os passeios. A dica é relaxar: sejam quais forem suas escolhas, você será um feliz turista deslumbrado com a beleza da geografia algarvia.

São cerca de 200km de costa, desde Sagres, no extremo Oeste lusitano, até Vila Real de Santo Antônio, na fronteira com a Espanha. O eixo mais visitado fica entre Faro, a capital, mais ao Leste, e Lagos, a 84km de distância. Qualquer cidade entre estes dois pontos é um ótimo lugar para se conhecer.

A sugestão é chegar por Faro, onde está o aeroporto internacional, além da estação de trem que vem de Lisboa, e ali alugar um carro para explorar a região. Rodovias ótimas (como a A22 e a 195) e bem sinalizadas (está tudo em português!) Praia do Camilo vista de cima facilitam os deslocamentos entre as cidades e a vida do turista.

A partir da capital algarvia, siga para o Oeste para sua primeira parada, no município de Loulé. Ali se localiza o famoso complexo turístico de Vilamoura. A área de 1.600 hectares foi criada pelo banqueiro português Artur Cupertino de Miranda, ainda nos anos 1960. O empreendimento fez sucesso com os turistas ingleses (sempre eles!) e tornou-se um destino concorrido, inclusive entre os portugueses.

O coração de Vilamoura é a Marina, repleta de bares, restaurantes, lojas e uma agitada promenade para passeios noturnos. Ao redor dela estão os hotéis de luxo, um cassino, restaurantes, bares e pubs, clubes de mergulho e, um pouco mais afastados, cinco campos de golfe, esporte muito popular no Algarve. Outra atração local é a Praia de Vilamoura, de fácil acesso, inclusive a pé, boa estrutura turística, bares e restaurantes na orla. Uma aura de tranquilidade perfeita para quem busca relaxar à beira do Atlântico.

Quase vizinha, a menos de 20km, está Albufeira, onde a tal tranquilidade já não é o forte. Com 40 mil habitantes, é uma das cidades mais populosas do Algarve e um concorrido destino turístico, por sua agitada vida noturna, boa oferta de restaurantes e pelas famosas praias. A mais conhecida é a da Falésia, uma extensa faixa de areia clara espremida entre o mar esmeralda-turquesa e as gigantescas falésias, com cores que vão do branco ao vermelho. Essas notórias formações rochosas, uma marca do litoral algarvio, começam mais claras e coloridas ao Leste da região e, por conta da sedimentação natural com o passar do tempo, vão se tornando mais escuras, até os tons achocolatados das falésias de Sagres.

A partir de Albufeira, o acesso às praias é um pouco mais trabalhoso: o banhista chega pelo topo da falésia (de onde ele pode tirar fotos incríveis) e desce por uma escada (por volta de cem degraus) até a areia. Este é o trajeto básico, por exemplo, da Praia da Coelha, um trecho quase deserto (há um bar, e mais nada), onde a faixa litorânea atravessa arcos entre rochas e pequenas grutas.

A partir da capital algarvia, siga para o Oeste para sua primeira parada, no município de Loulé. Ali se localiza o famoso complexo turístico de Vilamoura. A área de 1.600 hectares foi criada pelo banqueiro português Artur Cupertino de Miranda, ainda nos anos 1960. O empreendimento fez sucesso com os turistas ingleses (sempre eles!) e tornou-se um destino concorrido, inclusive entre os portugueses.

O coração de Vilamoura é a Marina, repleta de bares, restaurantes, lojas e uma agitada promenade para passeios noturnos. Ao redor dela estão os hotéis de luxo, um cassino, restaurantes, bares e pubs, clubes de mergulho e, um pouco mais afastados, cinco campos de golfe, esporte muito popular no Algarve. Outra atração local é a Praia de Vilamoura, de fácil acesso, inclusive a pé, boa estrutura turística, bares e restaurantes na orla. Uma aura de tranquilidade perfeita para quem busca relaxar à beira do Atlântico.

Aliás, de Albufeira até Lagoa não existe sequer uma praia “média”. São todas incrivelmente belas, como se tivessem sido propositadamente esculpidas para fascinar o visitante. Uma boa sugestão para se apreciar esse trecho encantador do litoral é fazer o passeio de barco, que sai da Marina de Albufeira, vai até Lagoa e volta ao ponto de partida, três horas depois. O tour é tranquilo, com monitores detalhando, em inglês e português, os nomes das praias, suas histórias e as curiosidades – como a rocha Submarino Amarelo, que supostamente teria inspirado a canção Yellow Submarine, dos Beatles. O catamarã percorre toda a sequência de praias e formações rochosas, avançando por dentro de algumas delas, até chegar ao ponto alto do passeio: o Algar de Benagil, ao lado da Praia da Marinha. Trata-se de uma imensa gruta à beira-mar, com um grande orifício em seu teto, por onde entram os raios de sol, iluminando a praia dentro da caverna. Uma cena indescritível! Para quem quer conhecer ainda mais de perto essas grutas, há passeios com botes motorizados para seis ou oito passageiros.

O ápice da beleza algarvia, porém, ainda está por vir. Pegue a estrada e siga para Lagos, município a 52km de Albufeira. Ali, além das simpáticas ruas e dos ótimos restaurantes, há um dos mais ex-
traordinários pontos turísticos do Algarve: a Ponta da Piedade. O monumento natural é formado por diversas rochas, grutas e penhascos alaranjados de até 20m de altura. Você pode chegar a ele por terra, a partir do mirante do farol, ou pelo mar, em excursões de barcos. Reserve um bom tempo para apreciar a grandiosidade desse local. Dá para descer os quase 200 degraus da escada esculpida nas encostas das rochas, caminhar entre as trilhas íngremes (e sem sinalização alguma) para encontrar novos ângulos para aquela foto incrível, ou apenas se sentar e observar o esplêndido pôr do sol.

Pertinho dali, estão as praias mais famosas e frequentadas da região, Praia do Camilo, Meia Praia e Dona Ana – esta, a mais conhecida e já eleita por diversos sites de turismo como a mais bela do Algarve (e uma das mais bonitas do mundo). Escolha qualquer uma, curta o clima ameno e aproveite muito a paisagem maravilhosa do local. É o cenário perfeito para viver a experiência algarvia em sua máxima intensidade.

A HISTÓRIA

Nem só de praias e falésias depende a graça do Algarve. As charmosas cidades, com ruas peque – nas, praças bem cuidadas e construções antigas, também são atrações obrigatórias na região.

O Algarve já foi uma importante base da expansão marítima de Portugal nos séculos 15 e 16, devido às boas condições para navegação. Porém, antes de ser uma das joias da Coroa portuguesa, fez parte do império mouro e dele herdou seu nome: os muçulmanos chamavam o local de Al-Gharb Al-Àn-dalusi, ou seja, Andaluz do Oeste. Os mouros foram expulsos de lá no século 13 e o al-gharb tornou-se Algarve.

Para conhecer ao vivo a história da região, comece por Faro. Ali estão monumentos notáveis, como o Arco da Vila, construído no século 19 sobre as portas medievais, inclusive com a Porta Árabe, um portal em forma de ferradura remanescente das antigas muralhas erguidas pelos mouros no século 11. Perca-se um pouco na parte mais antiga, a Vila-Adentro, com suas ruas estreitas, sentindo a atmosfera medieval.

Fora das muralhas, há a bela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, templo em estilo barroco erguido em 1713 e com seu interior decorado com ouro brasileiro. Nos fundos da igreja fica a curiosa Capela dos Ossos, cujas paredes são cobertas com o ossário dos membros da ordem religiosa. Outra parada interessante é a Catedral de Faro, ou Igreja da Sé, construída em frente a uma praça repleta de laranjeiras. No interior, capelas revestidas com azulejos pintados e muito ouro; no exterior, a torre do campanário, com vista da Ria Formosa e da cidade.

Perto dali, a 28km, a caminho da fronteira com a Espanha, fica outro município encantador: Tavira. Basta uma caminhada pela bucólica cidade, com suas casas brancas, muitas igrejas (são mais de 30!) e ladeiras cheias de flores, para se apaixonar. No bairro Santiago, estão as ruínas do Castelo de Tavira, que data do século 12. Suba em suas muralhas para ter uma das melhores panorâmicas da região e visite a Igreja de Santa Maria do Castelo, bem ao lado, construção do século 13 que sobreviveu ao grande terremoto que arrasou o Algarve em 1755.

Desça pelas ruazinhas cativantes até chegar ao centro da cidade e à famosa Ponte Tavira, sobre o Rio Gideão, também chamada de Ponte Romana, que foi reconstruída e reformada ao longo dos séculos. Aproveite para passar umas horas passeando pelos becos e vias da cidade ou perder um tempinho tomando algo refrescante num dos bares à beira do rio.

Complete seu passeio pela história do Algarve na pequena Lagos. Sim, ali também há pontos turísticos importantes, como o Forte da Ponta da Bandeira, o interior dourado da Igreja de Santo Antônio, os resquícios da muralha que cercava a cidade ou a mística Igreja de Santa Maria, em frente ao antigo Mercado de Escravos e à estátua do Infante Dom Henrique I. Mas o melhor dessa inesquecível cidade é o sobe e desce nas ruas coalhadas de turistas e portugueses, os restaurantes, bares e cafés funcionando sem parar e a simpatia extrema dos algarvios. Dá até vontade de esticar as férias e se deixar levar pela doce vida do Sul de Portugal.

Choquinhos à algarvia

Uma boa viagem a Portugal tem de contar com um bom mergulho na gastronomia daquele país. Principalmente no Algarve, uma região de culinária variada, com ricos ingredientes locais e influências da era mourisca. Por conta da extensa costa litorânea, os peixes e frutos do mar são os maiores protagonistas dos menus. Sejam apenas sardinhas bem assadas, seja um suculento robalo com batatas ao murro, a qualidade dos pescados por ali é impecável.

Um dos pratos mais típicos da região é a cataplana de frutos do mar, espécie de mariscada com camarões, lulas, mexilhões e peixe, preparada numa panela esférica (a cataplana), com sabores pronunciados e um aroma inebriante. Outra iguaria imperdível é o arroz de lingueirão (ou peixe navalha), que lembra a cataplana, mas leva em seu preparo arroz, coentro, cravo e vinho. Para ampliar seu repertório marinho, prove os choquinhos (molusco “primo” da lula) à algarvia e as famosas amêijoas à Bulhão Pato, um marisco preparado em azeite, alho e vinho branco. Não é uma receita típica desta região, mas é extremamente popular, e de sabor memorável.

Os petiscos, aliás, são uma tradição nas cidades do Algarve. As conservas, como carapau alimado, atum e, claro, sardinha, são servidas com as cenouras à algarvia (rodelas do legume, cozidas e curtidas numa mistura levemente ácida e refrescante). Há também uma boa oferta de queijos locais, principalmente caprinos, além de amêndoa e mel da região. Uma boa pedida é realizar o tour gastronômico por Faro, com paradas em restaurantes e bares para provar os petiscos, a cerveja e o vinho locais, e ainda entrar em museus, igrejas e monumentos acompanhado de um animado guia.

Cataplana de frutos do mar

Para adoçar sua estada, não deixe de degustar as deliciosas estrelas de figo seco com amêndoas e o doce mais famoso da região, o Dom Rodrigo. A sobremesa vem embrulhada em uma pirâmide de papel metalizado; quando aberta revela uma delicada, mas poderosa mistura de fios de ovos e creme de amêndoas. Para se comer rezando – de alegria e de vontade de voltar logo para esse paraíso.

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